01 – Carros elétricos chineses ganham cota especial no Canadá
O Canadá firmou um novo acordo comercial que permite a importação anual de até 49 mil carros elétricos produzidos na China com tarifas reduzidas. A medida representa uma abertura pontual em um mercado que, até então, mantinha barreiras significativas para veículos chineses, especialmente no segmento de mobilidade elétrica. O movimento chama atenção por equilibrar interesses econômicos com estratégias de proteção à indústria local.
Antes do acordo, os carros elétricos chineses enfrentavam tarifas que ultrapassavam 100%, o que praticamente inviabilizava sua entrada no país. Com a criação de uma cota específica, o governo canadense reduz parte dessa pressão tarifária, sem eliminar completamente os mecanismos de defesa comercial. A iniciativa também dialoga com compromissos internacionais do Canadá e com sua agenda de transição energética.
Além do setor automotivo, as negociações envolveram contrapartidas em outros segmentos, como o comércio de produtos agrícolas. Isso reforça como acordos comerciais tendem a ir além de um único setor, conectando interesses econômicos, diplomáticos e estratégicos em diferentes frentes.
Para o comércio internacional, o acordo sinaliza uma tendência relevante: mesmo em um cenário de disputas geopolíticas e protecionismo, há espaço para soluções intermediárias. Esse tipo de flexibilização pode influenciar futuras negociações globais, inclusive em mercados que mantêm relações comerciais intensas com a China.
02 – Crise no Oriente Médio e reflexos nas exportações de milho
O agravamento das tensões políticas envolvendo o Irã reacendeu preocupações no comércio internacional de grãos, especialmente para o Brasil, que figura entre os principais fornecedores de milho ao país. O mercado iraniano tem papel relevante no destino das exportações brasileiras, utilizando o milho principalmente para abastecer a cadeia de produção de proteínas animais.
Com a possibilidade de novas sanções e tarifas impostas por potências internacionais, surgem incertezas sobre a continuidade desses fluxos comerciais. Embora alimentos nem sempre estejam diretamente incluídos em pacotes de restrições, o ambiente de instabilidade já afeta negociações, prazos e expectativas de exportadores e tradings.
A concentração de volumes expressivos em poucos destinos aumenta a exposição a riscos externos. Ainda assim, o Brasil conta com alternativas para redirecionar parte da produção a outros mercados ou reforçar o consumo interno, o que pode reduzir impactos imediatos em caso de retração das vendas ao Irã.
Esse cenário reforça a importância da diversificação de mercados e do acompanhamento constante do ambiente geopolítico. Em um comércio global cada vez mais sensível a fatores políticos, estratégias logísticas e comerciais bem estruturadas se tornam essenciais para garantir previsibilidade e competitividade ao agronegócio brasileiro.
03 – Acordo UE–Mercosul amplia acesso do Brasil ao comércio global
Após anos de negociações, o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul avança como um dos mais relevantes pactos já firmados pelo bloco sul-americano. O tratado prevê a eliminação de tarifas para a maior parte das exportações do Mercosul, criando novas oportunidades para empresas brasileiras acessarem um dos mercados mais consumidores e exigentes do mundo.
Cerca de 92% das vendas do Mercosul para a União Europeia devem contar com tarifas zeradas ou significativamente reduzidas. Para o Brasil, isso inclui produtos agrícolas, industriais e de maior valor agregado, o que tende a fortalecer a competitividade das exportações e ampliar a presença brasileira no mercado europeu.
Além dos ganhos comerciais diretos, o acordo pode estimular investimentos e incentivar a modernização da indústria nacional. A previsibilidade regulatória e o alinhamento a padrões internacionais são vistos como fatores que favorecem a integração do Brasil às cadeias globais de valor.
Apesar do potencial positivo, a entrada em vigor do acordo ainda depende de trâmites internos e ratificação pelos países envolvidos. Mesmo assim, o avanço do tratado já sinaliza um novo patamar para as relações comerciais entre Brasil e Europa, com impactos relevantes no médio e longo prazo.