01 – Camex aprova ferramenta que pode facilitar adequação do Brasil à EUDR
A Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovou um instrumento que poderá auxiliar exportadores brasileiros no atendimento às exigências do Regulamento Europeu para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR). A medida cria um relatório oficial de análise socioambiental para operações de exportação, que será disponibilizado por meio da plataforma Agro Brasil + Sustentável (AB+S).
O mecanismo tem potencial para facilitar a comprovação de requisitos exigidos pela União Europeia para produtos associados a cadeias consideradas de risco de desmatamento, como soja, carne bovina, café, madeira, óleo de palma, borracha e cacau. A regulamentação europeia exige informações que permitam demonstrar a origem das mercadorias e sua conformidade com os critérios ambientais estabelecidos pelo bloco.
Para os exportadores, a iniciativa representa um avanço na estruturação das informações necessárias para acessar o mercado europeu. Além de centralizar dados socioambientais, a plataforma pode contribuir para dar mais previsibilidade ao processo de comprovação de conformidade, especialmente para cadeias com operações mais complexas.
A aprovação ocorre em um momento importante para o comércio exterior brasileiro, diante da proximidade da entrada em vigor das novas exigências europeias. Para as empresas que mantêm negócios com a UE, acompanhar as mudanças e antecipar a organização documental e operacional será cada vez mais importante para reduzir riscos e evitar impactos nos embarques.
02 – Avanço dos Houthis aumenta riscos para o transporte marítimo no Mar Vermelho
A tomada da cidade portuária de Mokha, no Iêmen, por forças Houthis apoiadas pelo Irã elevou as preocupações sobre a segurança de uma das principais rotas marítimas do comércio internacional. A região está próxima ao estreito de Bab el-Mandeb, passagem estratégica entre o Mar Vermelho e o Golfo de Áden.
O cenário chama atenção porque o corredor já vinha sofrendo impactos desde os ataques realizados pelos Houthis contra embarcações na região. Como consequência, parte relevante do tráfego marítimo passou a evitar o Mar Vermelho e a utilizar rotas alternativas, aumentando distâncias, tempo de trânsito e custos logísticos. Segundo a AP, o fluxo de navios pelo Mar Vermelho já havia registrado queda de aproximadamente 60%.
A nova escalada pode ampliar essa pressão sobre as cadeias globais, principalmente em operações que dependem das rotas entre Ásia, Europa e Oriente Médio. Para armadores e empresas importadoras e exportadoras, o aumento do risco regional pode resultar em alterações de rota, prazos mais longos e necessidade de revisão dos planejamentos logísticos.
Além dos impactos sobre o transporte, a instabilidade também gera preocupação em relação ao mercado de energia. O Bab el-Mandeb é um ponto estratégico para o fluxo de petróleo e outras commodities, o que faz com que qualquer restrição à navegação tenha potencial de repercutir nos custos e na disponibilidade de diferentes produtos em mercados internacionais.
03 – Veto da União Europeia pode afetar até US$ 2 bilhões em exportações brasileiras
A suspensão das importações de determinados produtos de origem animal brasileiros pela União Europeia pode representar um impacto de até US$ 2 bilhões nas exportações do agronegócio. A medida, que entrou em vigor em setembro, está relacionada às exigências europeias para comprovação do controle sobre o uso de antimicrobianos nas cadeias produtivas.
Entre os produtos afetados estão carne bovina, carne de aves, ovos, mel e pescados. O bloqueio ocorre após o Brasil não apresentar, dentro do prazo esperado, mecanismos considerados suficientes para comprovar o cumprimento das regras europeias. O cenário é especialmente relevante para a cadeia bovina, que pode enfrentar restrições ao mercado europeu por um período mais prolongado.
O impacto, porém, não é igual para todos os segmentos. As exportações de frango, por exemplo, apresentam uma perspectiva mais favorável, já que o setor vem passando por auditorias e apresentou garantias de conformidade às exigências do bloco. No primeiro semestre de 2026, o Brasil exportou 7.131 TEUs de carne de frango para os países da UE, alta de quase 50% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Diante desse cenário, exportadores brasileiros precisam acompanhar não apenas as negociações diplomáticas, mas também as exigências técnicas que condicionam o acesso ao mercado europeu. A situação reforça como mudanças regulatórias, controles sanitários e comprovações de origem podem interferir diretamente no planejamento das operações de comércio exterior.