01 – Comércio internacional avança em meio a novas pressões de custos
O comércio internacional segue em trajetória de expansão em 2026, mas os números mais recentes mostram que esse crescimento acontece em um cenário cada vez mais desigual e pressionado por custos. Segundo a UNCTAD, o comércio mundial de bens movimentou cerca de US$ 13,7 trilhões no primeiro semestre do ano, alta de 12,5% em relação ao mesmo período de 2025. Já o comércio de serviços avançou 10,5%.
Apesar do resultado positivo, parte relevante desse aumento está relacionada à elevação dos preços, e não necessariamente a um crescimento equivalente no volume físico de mercadorias. As interrupções no transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz e as preocupações com o abastecimento energético contribuíram para elevar os custos de energia, transporte, logística e produção. A inflação do comércio global, que ficou em 3,6% no primeiro trimestre, pode ter chegado a aproximadamente 5% no segundo.
Outro destaque é o desempenho da Ásia Oriental, que liderou a expansão do comércio de bens no início do ano, impulsionada principalmente por China e Coreia do Sul. Ao mesmo tempo, setores ligados à inteligência artificial e à mobilidade elétrica ganharam espaço: o comércio de minerais críticos cresceu 38%, o de semicondutores 25%, baterias 15% e veículos elétricos 11% no primeiro trimestre.
Para empresas que atuam no Comércio Exterior, o cenário reforça a importância de acompanhar não apenas a demanda internacional, mas também custos logísticos, disponibilidade de insumos, riscos geopolíticos e mudanças nas cadeias de fornecimento. Em um mercado que continua crescendo, mas de forma menos previsível, planejamento e gestão de riscos se tornam cada vez mais estratégicos para preservar competitividade.
02 – Nova estratégia da China acende alerta para o agro brasileiro
A China está reforçando sua estratégia de segurança alimentar e buscando diminuir, gradualmente, a dependência de produtos agrícolas importados. A movimentação ganha relevância para o Brasil porque o país asiático é um dos principais destinos do agronegócio brasileiro, especialmente para commodities como soja e carne bovina. A discussão também está relacionada às diretrizes do 15º Plano Quinquenal chinês, que prevê maior estímulo à produção doméstica, à produtividade e à eficiência no setor agrícola.
A estratégia chinesa, porém, não significa necessariamente uma interrupção das compras externas. O país enfrenta limitações importantes de área agricultável e disponibilidade de água, o que torna difícil substituir completamente o abastecimento internacional. Por isso, além de aumentar a produção interna, Pequim vem trabalhando com diversificação de fornecedores, novas tecnologias agrícolas e mudanças na composição da alimentação animal.
Para o Brasil, o principal ponto de atenção está justamente na concentração das exportações em determinados mercados. A China continua sendo um destino fundamental para produtos brasileiros: em julho, respondeu por US$ 5,64 bilhões, ou 34,5%, das exportações brasileiras do agronegócio. No caso da soja em grãos, sua participação foi ainda mais expressiva, chegando a 69,6% das vendas brasileiras entre janeiro e julho de 2026.
Mais do que interpretar o movimento chinês como uma ameaça imediata, o cenário deve ser encarado como um sinal para ampliar a diversificação comercial brasileira. Buscar novos mercados, agregar valor aos produtos e acompanhar mudanças regulatórias e de demanda são estratégias importantes para reduzir a exposição a decisões concentradas em um único comprador. Para quem atua no Comércio Exterior, antecipar esses movimentos pode fazer diferença na construção de operações mais resilientes.
03 – Agro brasileiro bate recorde de exportações em julho e reforça força no comércio exterior
O agronegócio brasileiro registrou um novo recorde nas exportações em julho de 2026. Segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária, as vendas externas do setor alcançaram US$ 16,34 bilhões, crescimento de 5,4% em relação a julho do ano anterior. O resultado fez do mês o melhor julho da série histórica para as exportações do agronegócio brasileiro.
A soja foi novamente o principal destaque. As exportações do grão chegaram a US$ 5,87 bilhões, alta de 17,4%, enquanto o volume embarcado atingiu 13,4 milhões de toneladas. A China permaneceu como principal compradora, respondendo por US$ 4,11 bilhões das vendas brasileiras de soja em julho. Celulose, farelo de soja, carne de frango e óleo de soja também registraram resultados expressivos no período.
No acumulado de janeiro a julho, o desempenho é ainda mais significativo: o agronegócio brasileiro exportou US$ 103,4 bilhões, alta de 6% sobre o mesmo período de 2025 e recorde histórico para os primeiros sete meses do ano. O complexo soja respondeu por US$ 42,1 bilhões, enquanto as carnes somaram US$ 20,5 bilhões.
Os números mostram a relevância do agronegócio para a balança comercial brasileira, mas também evidenciam um ponto estratégico: a concentração da pauta e dos destinos exige acompanhamento constante do cenário internacional. Em um ambiente marcado por mudanças de demanda, custos logísticos, questões sanitárias e movimentos geopolíticos, transformar competitividade produtiva em competitividade comercial depende cada vez mais de planejamento e inteligência nas operações de Comércio Exterior.