01 – União Europeia suspende importações de produtos de origem animal do Brasil
A União Europeia passou a suspender, em setembro, as importações de produtos de origem animal provenientes do Brasil. A decisão envolve itens como carne bovina, carne de frango, pescado e mel e está relacionada às exigências do bloco para o controle do uso de medicamentos antimicrobianos na produção animal.
A medida ocorre após o Brasil não apresentar, segundo as autoridades europeias, garantias consideradas suficientes para comprovar o cumprimento das regras estabelecidas pelo bloco. Entre os pontos de atenção está o controle sobre determinadas substâncias utilizadas na produção animal, incluindo medicamentos que não são permitidos pela legislação europeia para fins de promoção de crescimento ou aumento de produtividade.
Para o comércio exterior brasileiro, a mudança representa uma restrição relevante a um dos principais mercados consumidores do país. Além dos impactos diretos sobre exportadores e produtores, o cenário pode exigir reavaliação de contratos, destinos, planejamento de embarques e estratégias de acesso a outros mercados enquanto as negociações entre Brasil e União Europeia avançam.
O episódio também reforça a importância do acompanhamento contínuo das exigências sanitárias e regulatórias dos países de destino. Em operações internacionais, estar preparado para alterações de requisitos pode fazer diferença na previsibilidade dos embarques e na capacidade de adaptação das empresas diante de novas condições de mercado.
02 – Tensões no Oriente Médio alteram rotas e custos do transporte marítimo
As operações de transporte internacional no Oriente Médio passam por novas adaptações diante da instabilidade na região. Em atualização divulgada em setembro, a Maersk anunciou mudanças em reservas, rotas e condições de transporte para cargas com origem ou destino em diferentes países do Golfo.
Entre as medidas estão a adoção de sobretaxas de frete de emergência e uma cobrança adicional para contêineres que utilizarem o Estreito de Ormuz. Dependendo do tipo de carga, também foram estabelecidas restrições ou suspensões temporárias de reservas para determinados portos, enquanto alternativas terrestres e multimodais passam a ser utilizadas em algumas operações.
Para cargas que já estão em trânsito, as opções podem incluir armazenamento temporário, retorno à origem ou alteração do destino final, sempre de acordo com a viabilidade operacional. Essas mudanças podem gerar custos adicionais e aumentar a necessidade de planejamento para empresas que dependem de rotas pela região.
O cenário mostra como fatores geopolíticos podem rapidamente repercutir sobre o comércio internacional. Para importadores e exportadores, acompanhar alterações de rotas, disponibilidade de espaços, prazos, custos de frete e condições portuárias é fundamental para antecipar impactos e avaliar alternativas para cada operação.
03 – Brasil projeta safra recorde de café em 2026
O Brasil deve alcançar em 2026 a maior produção de café já registrada na série histórica da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A estimativa aponta para 67,6 milhões de sacas de café beneficiado, volume 19,6% superior ao registrado em 2025.
O resultado esperado combina dois fatores: o aumento da área em produção e uma produtividade maior nas lavouras. A área cultivada deve chegar a aproximadamente 1,95 milhão de hectares, enquanto a produtividade média nacional é estimada em 34,6 sacas por hectare, crescimento de 13,8% em relação ao ano anterior.
O desempenho também ganha relevância quando observado pelo mercado internacional. Em agosto, o Brasil registrou o maior volume mensal de exportações de café de sua série histórica, com 3,8 milhões de sacas embarcadas. Apesar disso, no acumulado dos oito primeiros meses de 2026, as exportações ainda registravam queda em relação ao mesmo período de 2025.
Com uma produção elevada e forte presença no comércio internacional, o café continua sendo uma importante commodity para a pauta exportadora brasileira. O cenário reforça a importância de uma logística preparada para acompanhar períodos de maior movimentação, desde o escoamento da produção até os embarques destinados aos diferentes mercados consumidores.